Envolvido em esquema criminoso desbaratado pela Polícia Federal guardava em casa material de campanha de Marcos Júnior

Bonés personalizados com o nome de Marcos Júnior estavam no meio de objetos apreendidos pela Polícia Federal

A operação da Polícia Federal denominada Selo Corrompido, deflagrada nesta quarta-feira (2), que apura a atuação de grupo criminoso voltado ao desvio de cartões bancários tem sido, desde então, amplamente divulgada pela imprensa do estado e nas mídias sociais, porém, alguns detalhes simplesmente estão sendo relativizados.

O esquema

A investigação aponta que correspondências contendo cartões bancários, incluindo contas ativas e de pessoas falecidas, eram interceptadas para realizar saques, transferências e movimentações fraudulentas em contas de terceiros e de benefícios previdenciários.

Há indícios da participação de um funcionário da própria estatal no desvio das correspondências.

O grupo também utilizava documentos falsificados para cometer as fraudes.

As investigações continuam sob sigilo judicial para identificar todos os envolvidos no esquema criminoso, mas já se sabe que um dos alvos da operação é o indivíduo identificado pela alcunha de "Josa" pessoa da extrema confiança do empresário Marcos Miranda, coordenador, na região do Médio Mearim, da campanha do candidato a governador Eduardo Braide (PSD).

Nas fotos repassadas à imprensa pela PF, é possível observar que entre os objetos apreendidos pela Polícia Federal na residência de "Josa", em Bacabal, estava material de campanha do candidato a deputado estadual Marcos Junior (PSB), como bonés personalizados distribuídos como brinde aos eleitores, prática que configura crime eleitoral.

"Josa" atua como cabo -eleitoral do clã Miranda sempre que alguém da família disputa algum cargo político. Com Marcos Júnior não está sendo diferente.

Pelas regras previstas em leis e resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é proibido distribuir brindes, e não é a primeira vez que alguém ligado à campanha de Marcos Júnior é visto distribuindo bonés com o nome dele, idênticos aos que estavam na residência de "Josa". Indiferentes ao que determina a Justiça Eleitoral, os próprios coordenadores da campanha fazem questão de tornar pública.

A relação do investigado com a família  Miranda é antiga e teve início ainda no município de Bom Lugar, onde Marcos foi prefeito por dois mandatos e, desde então, tornou-se "ficha suja" em virtude de inúmeras condenações por práticas ilícitas, como improbidade administrativa e desvios de recursos. Atualmente, Bom Lugar é administrado pela esposa dele, Marlene Miranda, conhecida como prefeita "Nota de Três Reais", por não honrar compromissos. 

Portanto,  neste caso faz valer aquele ditado popular:  "diga-me com quem andas e eu te direi quem és", que significa que as pessoas ao nosso redor influenciam nossos hábitos, pensamentos e comportamentos.

Em 2022, quando Marcos Miranda deu os primeiros sinais que pretendia mudar o domicílio eleitoral para Bacabal, e, em seguida, disputar a prefeitura, tenho alertado para quão seria perigoso entregar o comando do município a um sujeito useiro e vezeiro de atos truculentas, que vive cercado de pessoas Inidôneas e condenado por enriquecimento ilícito e desvio de dinheiro público.

Policiais federais fazendo busca e apreensão na residência de "Josa".

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