A silhueta e o voto decisivo de Algodãozinho

Joãozinho Algodãozinho de camisa verde, à esquerda.

O ex-vendedor ambulante João da Cruz Rodrigues, o Joãozinho Algodãozinho, de 49 anos, ganhou projeção pela maneira caricata, fora do normal, como tentava chamar atenção dos clientes que consumiam seu algodão doce. Joãozinho, que também se aventura na carreira artística gravando algumas músicas, costumava usar uma buzina ou mesmo imitá-la usando a voz. Assim, não demorou para que ele caísse nas graças do povo e logo fosse eleito a vereador em 2016, obtendo 1.398 votos.

Ao assumir, Algodãozinho, de cara foi uma espécie de protagonista do processo eleitoral para a escolha da Mesa Diretora da Câmara Municipal para os primeiros dois anos da legislatura da época. Travada entre Edvan Brandão e César Brito, a disputa foi acirradissima e contestada por mais de uma vez na justiça, e, no meio disso tudo, estava o voto de Algodãozinho que acabou sendo "raptado" e levado para uma fazenda onde os vereadores favoráveis a Edvan estavam confinados para evitar o assédio do concorrente.

A verdade é que o voto dele teve o peso de decidir o pleito e dar a vitória a Brandão. Em seguida, foi ostentação com direito à viagens e visitas a gabinetes de políticos importantes. Nos eventos festivos da prefeitura, Algodãozinho era o primeiro a chegar e o último a deixar o camarote oficial. 

Passados os 4 anos de mandato, ele tentou sem sucesso à reeleição. No total foram só 113 votos.

De lá para cá passou a ser servidor público municipal contratado e quase nunca é visto no meio da classe política, reaparecendo nesta quarta-feira (16) acompanhado do vereador João Alberto. Com a  silhueta um pouco avantajada, o ex-vendedor ambulante e ex-vereador foi fotografado em uma mesa, ansioso por uma bóia que parecia teimar em não sair.

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