Urnas colocaram à prova trabalho Vs. compra de votos

Reeleito, Davi Brandão foi novamente o mais votado em Bacabal

O resultado das eleições em Bacabal, a 254 km de São Luís, certamente servirá de termômetro para o prefeito Roberto Costa avaliar se o método adotado por ele desde o inicio da gestão, há 1 ano e 9 meses, é, de fato, suficiente para mantê-lo confortável na principal cadeira do Poder Executivo Municipal, como vinha acontecendo.

Dono de considerável fatia do eleitorado local, desde quando exerceu três mandatos e meio na Assembleia Legislativa, Roberto se elegeu a prefeito, em 2024, com certa folga, e apoiado por um leque de lideranças políticas, onde estavam inseridas: Edvan Brandão (então prefeito), os deputados estaduais Davi Brandão e Florêncio Neto (agora reeleitos), além de boa parte dos vereadores.

Já com a faixa sobre os ombros, Roberto, de certa forma se isolou, tendo como uma de suas primeiras medidas de governo cortar privilégios que eram dados à membros da classe politica, leia-se vereadores, que, ademais, deixaram de ser convidados para atos públicos da prefeitura, como visitas e solenidades de inaugurações. 

Nisso, outras figuras de destaque perderam  espaço ou deixaram de ter o protagonismo de antes, e o novo canário dentro do próprio grupo do prefeito  passou a ser de insatisfação. Porém, alheio a isso, o prefeito se manteve focado em suas atribuições enquanto assistia inerte a perda de aliados, que, até por não terem outra alternativa, rumavam para a porteira da fazenda daquele que é o principal nome da oposição, o candidato a prefeito derrotado Marcos Miranda.

Sem dar a devida importância à condução da parte politica e nem delegar a tarefa a alguém,   Roberto confiou tão somente em sua biografia e nas benfeitorias que implementou em seu governo, que, diga-se de passagem foram muitas, mas insuficientes ao ponto de, num acirrado processo eleitoral como o recente, apostar todas fichas nelas, enquanto que o principal concorrente, sem absolutamente nenhum legado, utilizava-se da mais nefasta prática criminosa em período eleitoral, a compra aberta de votos.

E, num mundo capitalista como o nosso, Marcos Miranda não foi o único a aproveita-se desse fator. Vereadores, dos quais citei mais acima, simplesmente fizeram da eleição, e nas barbas do prefeito, um verdadeiro balcão de negócio com os votos dos bacabalenses, que, por outro lado, não têm nada de ingênuos ou inocentes, fazem é questão  do "toma lá dá cá", da troca de favores, e o reflexo disso vimos nas urnas.

Apesar do aparente erro de estratégia, o prefeito Roberto Costa ainda foi capaz de dar maioria ampla aos seus candidatos  a deputado estadual e federal. Davi Brandão foi novamente o primeiro colocado, ultrapassando a votação de quatro anos atrás. Já Iracema Vale, a nova embaixadora de Bacabal na Câmara Federal, obteve mais do que o dobro da votação do candidato apoiado pela oposição, que, sequer, conseguiu se eleger. Veja alguns números abaixo.

Dep. Estadual 
Davi Brandão - 16.743 votos 
Marcos Jr. - 15.886 votos
Florêncio Neto - 7.351 votos

Dep. Federal 
Iracema Vele -  13.414 votos
Othelino  Neto -  5.796 votos
Fabiana Vilar - 3.780 votos 
Júnior Lourenço - 3.371 votos
Aldir Júnior  -  2.201 votos


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