A Dor e a passividade de Clarisse

Clarisse, mãe das crianças desaparecidas

Ninguém, em hipótese nenhuma, pode precisar a dor no coração de uma mãe com dois filhos menores com destino incerto, sem ao menos saber se estão vivos, como é o caso da dona de casa Clarisse Cardoso, genitora de Ágatha Isabelly, 6 anos, e Allan Michael, 4 anos, duas das três crianças do povoado quilombola São Sebastião dos Pretos, zona rural de Bacabal, que, após desaparecerem numa mata fechada próxima de casa, nunca mais foram vistas, exceto Anderson Kauã, 9 anos, encontrado dias depois.

Ocorrido em 4 de janeiro deste ano, o caso logo ganhou repercussão e mobilizou um batalhão de voluntários, entre moradores do município e da região, que se deslocaram até a localidade para iniciar as buscas, mesmo instante em que o prefeito Roberto Costa (MDB) acionava a Secretaria de Estado da Segurança Pública para também colaborar. De imediato, por determinação do governador Carlos Brandão (sem partido), equipes das forças de segurança do estado foram encaminhadas a Bacabal trazendo com elas especialistas no assunto e equipamentos modernos, além de helicópteros, cães farejadores e embarcações. Logo, também por solicitação do prefeito e do governador, Exército e Marinha se juntaram à força -tarefa que já contava  com as polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros, SAMU, Defesa Civil e órgãos do município.

Devido a grandiosidade da operação, o caso ganhou as manchetes da imprensa nacional e das mídias sociais. Globo, Band, SBT, CNN e outras emissoras de TV  enviaram repórteres e cinegrafistas para acompanharem o desenrolar das ações, bastante elogiadas. Criadores de conteúdos para internet também abraçaram a causa, alguns até colocando suas vidas em risco na mata adentro.

A intenção de todos, de autoridades, profissionais e voluntários, era só uma: encontrar Ágatha, Michael e Anderson Kauã com vida.

Três dias após o desaparecimento Kauã, foi encontrado debilitado e encaminhado ao hospital onde ficou até se recuperar. Infelizmente, as outras duas crianças não tiveram a mesma sorte apesar de tudo na área ter sido vasculhado, por terra, água e pelo ar, o que levantou a hipótese de rapto.

Durante todos esses dias e noites equipes se revezaram e voluntários desistiram vencidos pelo cansaço, porém, um detalhe chamava a atenção: a passividade de Clarisse Cardoso, mãe de Ágatha e Michael, que nunca deu um passo para pelo menos orientar as equipes na procura pelos filhos dela, era vista sempre na porta de casa e pouco chorava, e foi assim até a força -tarefa esgotar as alternativas e deixar o caso por conta da Polícia Civil que permanece investigando, porém, sem pistas de grande vulto, o que é comum em em situações assim.

Porém, de certo tempo para cá, Clarisse passou a frequentar a delegacia e conceder entrevistas à imprensa local cobrando informações, no que ela está absolutamente certa, mas, o curioso é que a mesma parece ter se esquecido do que muita gente fez, inclusive, as autoridades. Sempre que fala do assunto deixa a entender que está sozinha, sem apoio. A última dela foi pedir na internet contribuição financeira para contratar investigadores particulares.

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